domingo, 29 de março de 2009

Saudades,

Tenho evitado falar neste tema, porque evito falar no que me traz sofrimento…

A saudade, para quem migra, ainda que no mesmo país, é quase como que uma poça onde estamos, onde um pingar de água vai caindo lentamente…
ping, ping, ping…
Vai caindo e, com o passar do tempo, vai enchendo a poça.
Eu encontro-me dentro dela.
No início, apenas sinto os pés molhados e frios, depois passa aos tornozelos…
Salto, caminho, danço, sempre com o intuito de os aquecer, esquecer o gelo e seguir em frente.
Toda a força me ergue e ajuda a caminhar e até a dançar, nesta dança que é a vida.
Mas a água vai subindo, subindo… lentamente e gelando tudo por onde passa.
Neste momento da minha vida, sou muito mais resistente, forte… quebro o gelo, esqueço o frio e sigo em frente.
Quando chega à cintura, já está muito difícil resistir a tanto frio e humidade. Fico desconsolada, fria, numa inércia que não consigo explicar.
Continuo a resistir, abrando mas não paro.
Continuo a caminhar lentamente, com alguma dificuldade já em respirar… Mas ergo a cabeça, coloco um sorriso na face e enfrento a humidade!
Mas, neste momento, a água chega já ao peito. E é no peito que guardo o coração!
O meu coração precisa de calor, não consegue resistir a tanto gelo e frio…
É nesta altura que a força enfraquece, a vontade esmorece e o calor arrefece…
Admito! Preciso de reacender a chama, avivar a força que há em mim… Preciso do calor dos meus…
Preciso regressar ao meu lar, onde sei que serei bem recebida, acarinhada e terei o colinho dos pais para poder cair finalmente.
E esvaziar esta poça desta saudade que me corrói e enfraquece. Para depois regressar, com força suficiente para continuar!!

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